O QUE DIZEM AS ROCHAS >> HISTÓRIA GEOLÓGICA REGIONAL

Algarve: 400 milhões de Anos de História Geológica

Paleozóico

Mesozóico (Triásico; Jurássico; Cretácico)

Cenozóico (Terciário; Quaternário)

  A formação da Cadeia Hercínica em Portugal Idades das regiões da Europa

    Mapa estrutural da Peninsula Ibérica   Mapa Estrutural de Portugal   Mapa Estrutural do Sul Ocidental da Peninsula Ibérica

Cadeia Hercínica em Portugal   Perfil transversal no Barlavento Algarvio   Mapa Geológico da Zona Sul Portuguesa e da Orla Algarvia

Fecho de Oceano   Abertura de Oceano

(Fonte das imagens: Geografia Física de Portugal in www.letras.up.pt/geograf/geofis/geofis.html)

  

 

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 PALEOZÓICO - Xistos e Grauvaques, Quartzitos, Filões de quartzo

Ambiente de FormaçãoSedimentar: Marinho do Talude até à Planície abissal – No final do Paleozóico (carbónico) os terrenos que hoje formam Portugal estavam próximos do equador e situados entre dois supercontinentes em colisão, a Laurásia a Norte e a Gonduana a Sul. Foi neste contexto compressivo que, na zona marinha de talude, se depositaram sedimentos grosseiros (calhaus e areias) intercaladas com argilas. As argilas depositavam-se em fases de calmaria enquanto os sedimentos grosseiros se depositavam nos fundos quando as tempestades os ‘roubavam’ às praias. Com a colisão dos continentes e formação da Pangea estes sedimentos foram dobrados, levantados e nalguns casos metamorfizados. A maioria das argilas metamorfizou-se em xistos, enquanto apenas alguns grauvaques se metamorfizaram em metagrauvaques ou, mais raramente, em quartzitos. Nas inúmeras fracturas resultantes da colisão instalaram-se filões magmáticos de quartzo.

Ambiente Sedimentar Turbidítico  (fonte: www.letras.up.pt/geograf/geofis/geofis.html)  Ambiente Sedimentar Turbidítico (fonte:  www.letras.up.pt/geograf/geofis/geofis.html)

 Bloco diagrama da Zona Sul Portuguesa no Paleozóico (Devónico - Carbónico Inferior)  (fonte: www.letras.up.pt/geograf/geofis/geofis.html) Bloco diagrama da Zona Sul Portuguesa no Paleozóico (Carbónico Superior)  (fonte: www.letras.up.pt/geograf/geofis/geofis.html) Levantamento de fundos marinhos e formação de montanhas (fonte: www.cientic.com)

  TRIÁSICO - Conglomerado e arenito argilosos

 

Ambiente de FormaçãoSedimentar: Fluvial – No Triásico, o Algarve estava muito próximo do equador (20º N), incluído na faixa climática quente e árida. Com o início da fragmentação da Pangea, as forças distensivas provocaram abatimentos para onde começou a drenar a rede hidrográfica da zona. A erosão aplanou o leito e forneceu sedimentos, para nos canais fluviais se formarem os conglomerados argilosos, enquanto nas planícies de inundação se formavam os arenitos argilosos. A abundância de óxidos de ferro, bem como alguns níveis evaporíticos evidenciam condições de aridez predominantes, relacionadas com a latitude e interioridade do Algarve e do país, nessa altura.

Abertura do Oceano Atlântico (fonte:  www.letras.up.pt/geograf/geofis/geofis.html) Abatimento tectónico ou Graben (fonte: www.cientic.com) Ambiente de Deposição do Grés de Silves (fonte: www.letras.up.pt/geograf/geofis/geofis.html)

 JURÁSSICO inferior - Brechas e cinzas vulcânicas, Basaltos, Doleritos, Dolomites primárias, Margas, Argilas, Calcários, Gesso e Sal-gema

Ambiente de FormaçãoMagmático: predominantemente vulcânico e Sedimentar: de transição – A fragmentação da Pangea aprofundou os abatimentos tectónicos Triásicos e originou fracturas por onde o magma ascendeu originando escoadas lávicas , filões e diques de basalto e dolerito, cinzas vulcânicas e piroclastos de maiores dimensões e brechas vulcânicas. Em algumas zonas o abatimento permitiu a invasão marinha criando poças e pequenos lagos salgados de águas calmas (lagunares) onde se acumularam argilas, margas e calcários. A proximidade das fontes de sedimentos continentais permitiu o enriquecimento em ferro e magnésio das águas possibilitando a formação de dolomite (carbonato de Fe e/ou Mg). A evaporação que se fazia sentir nesses charcos, devido ao clima quente e seco, permitiu a formação de gesso e sal-gema.

Ambientes de Sedimentação de Evaporitos (gesso e sal-gema)

JURÁSSICO médio a superior - Calcário oolítico, Calcário bioconstruído, Dolomites primárias, Calcário com nódulos de sílex, Silex, Marga

Ambiente de FormaçãoSedimentar: Marinho Costeiro – O Jurássico no Algarve é marcado pela continuação do processo de fragmentação da Pangea e pela transgressão marinha associada que culminou com a ligação do ‘velho’ Tetis ao ‘novo’ Atlântico. O clima era quente e húmido e as águas eram quentes, devido à proximidade do equador, e ofereciam condições favoráveis à sedimentação quimiogénica.

No mar depositavam-se areias nas zonas costeiras mais agitadas que foram cimentadas por carbonato de cálcio e que viriam a originar calcários oolíticos.

Nas zonas mais calmas, estendendo-se pela parte inicial da plataforma (limitados em profundidade pela zona fótica), desenvolveram-se numerosos recifes de corais e inúmeros outros organismos que formaram os calcários bioconstruídos.

Ambiente de FormaçãoSedimentar: Marinho de Plataforma – Nas zonas de plataforma de profundidade relativamente elevada, nas imediações dos recifes de coral, depositaram-se calcários com nódulos de sílex. Os nódulos terão tido origem em restos de organismos com partes duras (recifes de coral, equinodermes, bivalves, etc..) mas alguns poderão representar a deposição de sílica coloidal pelo mar resultante da dissolução de sílica orgânica (espongiários). Em alguns locais ocorreu mesmo a formação de camadas de silex. Nas zonas de plataforma menos profundas e próximas da costa formaram-se dolomites e calcários dolomíticos.

Ambiente de FormaçãoSedimentar: de Transição e Marinho de Plataforma – Em algumas zonas de plataforma de profundidade elevada depositaram-se margas, que resultaram da mistura de carbonato de cálcio com argilas provenientes da descarga de rios e outros agentes de erosão dos continentes. Nestas rochas ficaram preservados inúmeros fósseis de amonites e belemnites (cefalópodes), organismos pelágicos que vivem ao largo da costa. No jurássico superior instalou-se no Algarve uma vasta zona lagunar que á semelhança das zonas de plataforma elevada acumulou calcários margosos e margas. Esta zona lagunar irá perdurar até ao Cretácico.

Tectónica – É ainda no Jurássico que se inicia a migração das grandes massas de sal, que devido ao peso das rochas sobrejacentes e a movimentos tectónicos têm tendência para ascender até à superfície por zonas enfraquecidas dobrando e levantando as formações calcárias envolventes.

CRETÁCICO - Argilito, Siltito, Arenito e Conglomerado fluvio-lacustres e Calcário, Marga, Dolomite primária, Arenito e Conglomerado costeiros

Ambiente de Formação Sedimentar: Continental Fluvio-lacustre, de Transição e Marinho Costeiro – O Cretácico é marcado por uma acentuada retirada do mar (intercalada com alguns curtos episódios transgressivos) relacionada com a Colisão Europa-África que provocou levantamentos importantes de terrenos. Estes levantamentos reactivaram a erosão, que contribuiu para o aumento da componente detrítica no registo sedimentar. Nas fases transgressivas acumularam-se sedimentos marinhos, como calcários, margas e dolomites (zonas calmas) e arenitos e conglomerados (zonas agitadas), e nas fases regressivas, sedimentos de origem continental, como arenitos e conglomerados fluviais e de origem estuarina, deltaica e lagunar, como argilas e siltes. O clima permaneceu quente e húmido.

Tectónica – No Cretácico, a rotação da Península Ibérica e os movimentos tectónicos compressivos associados à colisão Europa-África permitiram a instalação do maciço de Monchique e de variados filões e chaminés vulcânicas, como na Praia da Luz. Entre o Jurássico e o Cretácico, os movimentos distensivos associados ao afastamento da Europa de África, provocaram abatimentos responsáveis pela inclinação geral das camadas para Sul.

Evolução da Plataforma Continental Portuguesa (Mesozoico e Cenozoico)  Rotação da Península Ibérica e Formação dos Pirinéus

JURÁSSICO até hoje - Dolomite secundária, Espeleolitos, Tufos, Veios de calcite, Terra-rossa

Ambiente de FormaçãoSedimentar: Recristalização associada a águas percolantes – A maioria dos calcários do Algarve estão afectados por fenómenos de carsificação – evidentes na terra rossa que preenche cavidades, nas grutas, nos algares, dolinas e poldjes – e por fenómenos de recristalização – evidentes nos veios de calcite que preenchem falhas e diáclases, nos tufos associados a exsurgências, nas estalagmites, estalactites, colunas e outros espeleolitos e na dolomitização dos calcários. Na dolomitização o carbonato de cálcio (calcite) passa por substituição a carbonato de ferro ou magnésio (dolomite). A dolomite, mais resistente à erosão, aparece nos picos dos cerros e tende a formar lapiás ou megalapiás como os dos Penedos do Frade. O cálcio em solução volta a precipitar formando os veios de calcite e os espeleolitos.

Modelado Cársico (fonte: www.cientic.com)

TERCIÁRIO - Calcarenitos, Arenitos finos, Argilitos e Siltitos

Ambiente de FormaçãoSedimentar: Continental Fluvio-lacustre, de Transição e Marinho Costeiro – Grande parte das rochas aflorantes do Terciário formaram-se em lagos e rios amadurecidos, que então regulavam o seu perfil longitudinal pelo nível de base pré-glaciar e apresentavam estuários, deltas e zonas lagunares bem desenvolvidas. Os levantamentos cretácicos e o abaixamento da temperatura relacionado com a deriva para norte, favoreceram a componente detrítica e reduziram a precipitação química. Nestes ambientes calmos havia condições para a deposição de sedimentos detríticos finos, como areias finas, siltes e argilas, mas os terrenos calcários anteriores (mesozóicos) funcionaram como ‘fonte’ da componente carbonatada dando origem a calcarenitos. Como é típico destes ambientes sedimentares abundavam bivalves e outros moluscos que originaram inúmeros fósseis. O clima variou de quente e húmido a temperado frio.

Tectónica – Entre o Cretácico e o Terciário a colisão continental Europa-África reduziu o vasto Tetis ao pequeno Mediterrâneo e levantou terrenos (Orogenia Alpina) como os Pirinéus, os Alpes e também formou e acentuou muitos cerros e serras do Algarve. É devido a esta colisão e levantamento associado que falta no Algarve o registo sedimentar do Terciário Inferior e do Cretácico Superior. 

QUATERNÁRIO - Conglomerados e Arenitos fluviais e costeiros, Tufos calcários, Arenitos eólicos

Ambiente de FormaçãoSedimentar: Continental Fluvial e Marinho costeiro – O Quaternário é marcado por ciclos de glaciações e desglaciações. O máximo glaciar ocorreu há 18 000 anos e nessa altura a frente polar atingia o norte de Portugal, estando as principais serras do país cobertas com espessos mantos gelados (Estrela, Gerês, etc.). As temperaturas da água chegavam a atingir valores inferiores a 4ºC, dificultando a sedimentação quimiogénica e favorecendo a detrítica. Globalmente o nível médio das águas do mar desceu, levando os rios a rejuvenescerem e a aprofundarem os seus vales. A erosão fluvio-glaciar, a fusão estival de gelos e a precipitação primaveril combinaram-se para conferir caudal elevado a estes rios, que por isso tiveram energia suficiente para transportar grandes cargas sedimentares de calhaus, que foram depositados intercalados com areias e argilas. Nas suas margens formaram-se praias fluviais, hoje terraços fluviais, e na costa formaram-se praias, hoje algumas estão levantadas e constituem terraços marinhos, embora a maioria esteja submersa pois foi talhada por um nível do mar muito inferior ao actual (em Portugal 120 a 140 metros abaixo do nível actual). De facto há cerca de 10000 anos a desglaciação acentuou-se significativamente e com ela começou também a subida do nível do mar. Isto provocou o início da rectificação da costa com erosão de cabos e acumulação de sedimentos nas reentrâncias, bem como o início da formação de barras submersas no sotavento que evoluíram para ilhas barreira de um sistema lagunar – a ria formosa, com extensos campos de dunas. No barlavento, com relevos mais elevados, a rectificação continua e as praias actuais formam baías em falésias elevadas. Nas nascentes de algumas ribeiras, como na Ribª da Asseca - Pego do Inferno, formaram-se tufos calcários resultantes da fixação de carbonatos por organismos que vivem em nascentes com águas calcárias. O vento talhou dunas nas zonas litorais que acabaram por consolidar e que hoje são dunas fósseis - arenito eólico. Desde há 18 000 anos até hoje o clima evoluiu dentro do temperado de frio a quente, quase semi-árido.                     

Paisagem do TerciárioPaisagem Quaternário InicialPaisagem Quaternário FinalPaisagem Tempo Actual

Tectónica – Durante o Terciário e Quaternário as forças compressivas iniciadas no Cretácico continuaram a fazer-se sentir provocando a formação e reactivação de inúmeras falhas. A falha de Quarteira parece dividir o barlavento do sotavento e foi ao longo dela que ocorreu o abatimento do sotavento responsável pelas diferenças de relevo destas duas zonas do Algarve.

Costa Arenosa - Sotavento   Costa Rochosa - Barlavento

(Fonte das imagens: www.cientic.com)